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conaculta

"We must enter into that willing suspension of disbelief required in the reading of any poem"

Meninas

Uma pessoa estar sozinha. Eu disse muitas vezes a muitas pessoas que adorava estar sozinha. Poder passar dias sem falar com ninguém. Parar e pensar, há dois dias que não abres a boca. Não atender telefones? Não ver ninguém a não ser o Sadiq que me vende bananas e brócolos e às vezes uma garrafa de vinho que bebo durante quatro dias para achar que sou uma pessoa controlada. Nunca tive paixões de 15 dias. Agora tenho. Muito. Amo muito e muito depressa. Ou logo, ou rápido. Nunca tive one night stands, agora também tenho e não vejo nenhum horror nisso. O mal que antes via, tem desaparecido. Amo tanto quanto preciso os meus amores estrelas cadentes e espero muito que eles adorem qualquer coisa em mim. Como o meu rabo ou o meu amor por todas as musicas do Caetano Veloso. Quanto mais crescemos mais bonitos são os amores, mais esquisitos somos nós, mais rápidos são os dias e quase nunca mais chega o Verão. Bora comer um crepe com Nutella em St. Michel?

Stranger, Lover

Pus-me no Tinder. O Tinder é a coisa mais esquisita do mundo. Há um monte de mulheres no Tinder à procura de encontrar pessoas: homens ou mulheres, ou homens e mulheres e animais e anões. O Tinder é rapidíssimo, numa noite no Tinder fiz três matches. O Tinder é triste e é um lovers game que gosto de perder para me continuar a achar possível de salvar. Estou no Tinder e escrevo coisas a mulheres desconhecidas para ver se me acham gira e tal e respondem. Mas o Tinder nunca é sweetie ou Miles Davies. O Tinder é carne para canhão, é miúdas e mulheres com umas frases esquisitas. O Tinder sou eu, quando não me sei explicar e gostava. O Tinder é quando nos esquecemos do que íamos dizer. No Tinder sou uma marca branca, barata e para se comer todos os dias. Uma qualquer, de costas, chamada pinkcream, ou moon. And baby, i really need some Jazz.

Nikola Tesla

Quase que desejo não te ver. Podias ficar dias e dias a escrever-me cartas daí. Podias contar-me  o que adoras na tua cidade, que eu não vou nomear, porque não quero que saibam quem tu és. Explicar-me o que sentes quando trabalhas, o que vês em mim, essas coisas que ficam mais lindas na tua letra. Assim é mais fácil armadilhar o coração e pensar que és só minha. Privar-se do que se precisa, quando se está apaixonado, é parte da felicidade de estar apaixonado. É. Vou inventar que vou às Finanças e que os hóspedes me partiram a cama ontem, que foi noite de grande excitação lunar. Tudo para prolongar esta maravilhosa carência de faculdades críticas em que me puseste e onde eu fico tão bem, a pensar que tudo é energia, mas também em aflição, porque para aí há uns três ou quatro anos não vejo um campo de papoilas, ou oiço um disco dos Pink Floyd.

Mykonos

Gostar de mulheres foi a coisa mais linda que me aconteceu na vida. Amar uma mulher é gostar mais além do gostar. É entrar no mar num dia muito quente de Verão, ao acordar ou ao anoitecer quando veem os tubarões e é perigosíssimo. Querer morder o pescoço de uma mulher é das melhores ansiedades que já senti. O cheiro, os medos, os risos, os joelhos, a cor da pele, a barriga, as maminhas, o sorriso, as maminhas - sim voltei a repetir-me- a cabeça de uma mulher, são únicos, em cada uma e mais muito mais, em todas as que amei de morrer de amor e encanto e dor e prazer e maldade. O prazer, o amor, a paz nos olhos delas entontecem-me, põem-me tão louca de satisfação como quando bebo o primeiro Gin-Tónico num bar, no Verão a ver o mar. Os acasos que tive com as mulheres que amei foram os mais lindos acasos, porque fizeram mais por mim que anos e anos de livros e música barroca. Hoje à noite, morderia cem vezes o teu pescoço e faria desse acto tresloucado a minha promessa de amar-te e amar-te e amar-te. E sim, até poderias vendar-me.

Sleddogs

Brent Sass só quer atravessar o Rio Yukon e aposto que vai conseguir. Na fotografia do New York Times vejo-o ao longe com os seus cães. Deslizam sobre o gelo no meu Domingo. Deve ter comido ovos e bacon ao pequeno almoço e bebido uma caneca gigante de café americano. Singing: am i part of the cure, or am i part of the desease.

Na tua Moleskine antiga escreveste Si chiama amore, achei tão linda a tua letra e ouvi tão bem a tua caneta a deslizar na folha super macia enquanto não sabias o que escrevias. I´m gonna give you my heart. E fiquei preocupada porque ainda não tinha a lista dos alimentos que não comes.

A minha hóspede do Airbnb deixou-me uma frigideira para lavar que ainda ali está. Dormi uma sesta no sofá e acordei sem saber onde estava. Ainda pensei em ir à Matiné do Rouge, mas não. Quero é ir deitar-me nos mesmos lençois da miúda que aqui esteve em casa, baralhar a minha cabeça com o cheiro esquisito de uma holandesa. On and On from the moment i wake.

Borboletas no pipi

Gostava que o texto de hoje fosse o mais brilhante raio de temporal, ou de sol. Fosse um quadro negro onde todo o Maracatu Atômico pudesse existir. Gostava que fosse muito perfeito gramaticalmente e sem problemas de pontuação. Amor da minha vida, uma música do Cazuza. Exagerado, mesquinho, altivo totalmente inventado. Hoje eu queria que me dessem banho, queria o cheiro da água de colónia Johnson´s cor de rosa antiga, queria os meus lápis Viarco, queria o Rio de Janeiro sempre a tocar na minha cabeça para ser perfeita. Queria ver os Dois Irmãos e sentir-me inútil num minuto e muito poderosa, no minuto seguinte. Queria uma paixão beyond imagination, queria as amizades todas de quando tinha quinze anos, queria estar quase a dar um beijo na boca a alguém a quem nunca tivesse dado um beijo na boca. Voltar a entrar no sambódromo com a Portela, cruzar-me com o Chico Buarque, na Rua Dias Ferreira, no Rio de Janeiro e jantar com a Angelina Jolie, num restaurante qualquer que ela escolhesse, em Nova Iorque, ou em Paris, tanto faz.

Moves like Jagger

Hoje acordei com Maroon 5. Ontem tinha acordado com a Bethânia o que me torna uma pessoa eclética, bem amada e chique, chique só porque na casa onde acordei vivem três animais pré-históricos: O Francisco, a Jacinta e a Lúcia. As tartarugas do meu amigo pandeleiro que faz de mim, por estes dias, uma pessoa mais feliz. Além de me contar histórias excitantes, quando fala de fast love e queridas, quando fala do seu namorado, que me deixam inspirada e com fé na humanidade; cozinhar para mim; estender e tirar a nossa roupa do seu varal impecável ao estilo Niterói-Tijuca; tirar a loiça da máquina; dizer que queria era ser uma Victoria`s Secret Angel do Moves like Jagger, cheio de penas e isso eu também queria e rirmos muito. Tudo enquanto me espraio feito princesa, que finalmente posso ser, no quarto que está sempre à minha espera e faz parte da sua Mansarda da Rua de Santa Marta cheia de coisas da vida dele, dos avós e dos pais e livros da Colecção Mosquito e lhe peço, Espera!, já te vou ajudar... Depois de escrever.

O mundo sem o amor parece-me um lugar como a nave Enterprise: inóspito e com pessoas em fatos de astronauta and no music at all. Sem Maroon 5, sem Maria Bethânia e sem Frank Sinatra que criou a Terra só para que nós pudessemos viver nela.

Conversa com Tynke

Se fosse dantes e se eu fosse uma crítica de mim própria, que não sou, mas se eu fosse capaz de ser e se isso servisse para alguma mudança, eu díria que a idade ou qualquer um dos comprimidos, pós, ou vitaminas que ando a tomar me está a tornar delicodoce. Parece que ando a mastigar de um lado para o outro, dentro da boca, um caramelo daqueles de Badajoz, dos bons, dos anos 70. A mudar alguma coisa com o tempo, não era transformar a minha escrita nestes pacotes de açucar, aquilo que eu queria pedir a Deus ou a Caetano Veloso. Queria pedir a voz da Cher, queria pedir mais salero, mais experiências na vida com mulheres tão lindas e a cheirarem tão bem do pipi como cheiravam as Milan.

Os melhores Sábados da minha infância! Aqueles passados nas Galerias Preciados, num corredor de coisas para a escola. Sentada e escondida dos empregados a abrir e a cheirar pacotes de três borrachas Milan: a Azul, a Cor de Rosa e a Verde.

Tudo o que te quero dizer está nas entrelinhas disto que escrevi e é tão forte como os barulhos das turbinas de um Boeing 777 a levantar vôo. Mas eu perdi a mão. Desaprendi de escrever. Onde estás tu, amor meu?

Mahler Symphonie 9

Ontem não sonhei. Fiquei triste porque queria ter-te mais perto, da única maneira que isso é possível. A fazeres o que eu quisesse, podia ser estares a dormir e eu a olhar para ti e a pensar no que tu tens tanto e eu ainda não vi. Podia ser estares a trabalhar e eu deitada num sofá qualquer, desde que fosse confortável, para que tu não me ouvisses respirar, nem soubesses que eu estava ali. Nem nada te incomodasse. Neste último caso, a sala teria que ser muito grande para haver espaço para o olhar e possivelmente não haveria lá vestígios de nada que fosse real. Pelo menos tão real como a Ikea.

Hoje muito estúpida, mas lavadinha, vesti umas calças quase da cor da parede dessa sala, onde gostava de te ter estado a olhar/gostar/comer se tivesse sonhado, só para conseguir tirar-te da cabeça.

Trappist - 1

“I think that we have made a crucial step toward finding if there is life out there”. Eu sou uma egoísta, só tento encontrar alguma coisa por trás da tua voz e dos teus sorrisos telefónicos. Aquelas qualidades que os cientistas da Nasa ontem  juraram encontrar num jogo que eu vou ganhar, porque eles precisam de cálculos complicadíssimos cheios de números e pis e eu cheguei lá só de ouvir Marcelo Janeci, que é um cantor brasileiro e ler aquelas frases maravilhosas do wordporn, que dizem que dançar à chuva é bom. Fica firme, vais rir e chorar quando perceberes o que te está a acontecer. Sete planetas à volta de uma estrela dwarf, nós a discutir a beleza de um porsche. Ri-te, minha querida. Para quê a nossa pressa, aproveita o teu Carnaval.

("Pode espalhar sua beleza, que o meu desejo hoje é só certeza." Não se assuste, é só um poema da Calcanhotto)


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