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conaculta

"We must enter into that willing suspension of disbelief required in the reading of any poem"

Cool

Quando lá fores rega as plantas, arruma as gavetas, descalça-te e sente os pés a queimar no deck. Também podes comer batatas fritas e temperar a salada, enquanto ouvem músicas escolhidas por outras pessoas no Spotify e tu te perguntas como é possível alguém ter o mesmo gosto musical que ela. Bebam copos. Bebam vinho branco e falem mal do mundo, em geral e de algumas mulheres, em particular. Na amizade pode ter-se a paciência que nos falta no amor. Mostra-lhe do que o coração dela é capaz. Demorem muito tempo a pintar os olhos e a prepararem-se para ir sair e ver dançar outras raparigas. E nunca lhe digas que voltei a escrever depois de a ter.

Porque será que as vizinhas lhe levam tantas fatias de pão?

Your love will be safe with me

Não oiço vento em Cascais. Não me oiço a mim nem a vocês. Tivemos um dia bestial, houve sol e vocês estavam felizes, da forma que nos é possível estarmos felizes. Voltam amanhã à vossa vida e a vossa vida é sem mim ao pé. E crescem e respiram sem mim e fazem amigos sem mim e não conheço os vossos amigos que espero vos cuidem, como os meus me cuidaram. Não corre o vento de Cascais para me ajudar a dormir até amanhã. Estou triste e vocês aguentam a minha tristeza com o vosso riso e a vossa maneira de me mostrar que estou em vocês todos os dias que não estou, porque escolhi não estar e vocês lá entendem isso tudo dentro de vocês, da maneira que arranjaram para me desculpar da minha escolha. Lembro-me de nós no Rio, lembro-me de tudo e sei pelos vossos risos, que recordo todos os dias que acordo, que são felizes aí. Ipanema faz qualquer um feliz. Ipanema fez-nos fortes e mostra-vos todos os dias o caminho. A mim também. Your love will be safe with me.
A nossa vida é feita de escolhas que doem, escolhas que agora tentamos nos façam rir. A nossa vida tem sido passada em aeroportos: Espero por vocês aqui, vocês esperam por mim aí. Enquanto isso, falamos por códigos, por coisas não ditas, por cada momento que escolhemos viver e ser, por tudo o que acreditamos uns nos outros. Os três.

Prometo ser sempre mais forte que vocês. Temos o amor, a saudade, as estrelas em Montemor, as nossas falhas, as nossas fotografias nos quartos uns dos outros. Adoro as gaivotas de Cascais, adoro as ondas-caixotes do Rio, as vossas adições à internet, a vossa capacidade de se despedirem de mim nos aeroportos. Your love wil be safe with me. É uma música triste quase como o teu Wish You Where Here, Tom. Até já. Portem-se bem.

Say Lou Lou

Bem sei que não há Verão sem Feiras Medievais, essa ideia desgraçada que há anos nos persegue. E que quem inventou as Feiras Medievais não tem nada mais interessante em que pensar, ou é muito bonzinho mas não faz sexo, muito menos terá contemplado o Mar Azul de Formentera. Bem sei que já há bébés dentro da barriga da mãe a ouvir música através de ipods intrauterinos cor de rosa. E que também senti qualquer coisa espasmódica ao ver os islandeses, ontem, e seus gritos de guerra. E que também gostaria muito de conhecer os segredos que estão dentro do coração do Sigurdsson. Mas não sei nada disso. Limito-me a intuir sobre os outros reinos e a arte do flirt entre Daenerys e Yara Greyjoy. Se as seguirem com atenção vão entender quem é "pão" e quem é "manteiga". E isto é o mais perto que vos posso deixar vir, de mim.

Rede Expressos (Albufeira - Lisboa)

A vida sexual dos meus avós deve ter existido e é uma coisa que às vezes me ocorre quando não tomo correctamente os comprimidos. Como me ocorre pensar nos evangélicos, naqueles evangélicos que podem ter visto o Nove Semanas e Meia e por isso hoje frequentam a Igreja Bola de Neve, ou outra destas, à espera do ghost da Kim Basinger, que também frequentou durante o ano de 1982 a minha cabeça - you can leave your hat on - fora e dentro do Cinema Império e fez de mim uma religiosa praticante.

O armário clean-sexy do Mikey Rourke foi, nesse ano, um fait divers que me ajudou a ver perder a selecção brasileira no Mundial  para o Paolo Rossi. A minha vida são coisas assim e nunca ter visto a Maria Bethânia ao vivo.

Os irritadiços

O tio Frank já dizia que não há melhor vingança que o sucesso. O Ronaldo é maravilhoso não só, mas também, porque funciona do mesmo jeito. Eu gosto de pessoas assim: irritadiças. Gosto de pessoas que defendem os seus amigos, que se irritam por tudo e por nada, que vivem metade do mês como se estivessem com a TPM, porque a outra metade é para serem idolatradas pelo povo em geral, claro e pelos poetas em particular, óbvio.

Quando era pequenina achava isto uma característica muito horrível e tentava ser sensata e pouco irritadiça. A minha mãe ensinou-me a dizer às pessoas, Mómó não mexe, só vê com os olhinhos e ainda hoje acha mal quando eu me esqueço do mantra. No entanto, a idade mudou-me. E tenho absoluta confiança que o feitio irrascível que venho desenvolvendo me vai aperfeiçoar as virtudes e diminuir os defeitos aos olhos dos outros. Quiçá voltar a escrever um livro que se veja. Quiçá ser eleita a mulher mais sexy do Arraial Pride de Lisboa, no ano que vem, desculpem mas este ano já não consigo. Pelo menos atingir aquele objectivo de chegar à Praça do Comércio, brandindo um bordão, como o da Rainha Santa Isabel na sua peregrinação a Santiago de Compostela e alimentar o tão famigerado mito entre as minhas iguais de, "Ser das que bate".

Pensando bem, sempre tive a certeza de que o filósofo Nietzsche também devia bater em toda a gente e em relação à minha barriga tanquinho, lá chegaremos.

 

 

O eixo Albufeira-Oura e a fealdade humana

O novo Mayor londrino deveria ser obrigado a vir passar uns dias de férias aqui. Acredito que o corpo das senhoras que por aqui se passeiam o façam ter a erecção do século e o façam sentir saudavelmente bem vindo. A mim, os corpos disformes do povo fez-me não só acirrar a própria dieta, como correr para uma banca de revistas e comprar todas as que me mostrem mulheres em biquinis amarelos, lindas e bronzeadas. Aquelas que ele pretende retirar dos outdoors londrinos.

O eixo Albufeira-Oura é o cu do Algarve, onde vêm passear os ingleses mais feios do mundo. Tenho muito poucas palavras para isto e não queria adjectivar, melhor, estou com medo de adjectivar. Eu sei que sempre tive um problema com a fealdade humana, com os ciganos, com indianos, com lugares onde há muito povo. Eu sei que sou elitista: Que gosto de suecas, de nobres, de frases inteiras do Game of Thrones, de cavalos, de escritores russos e de meninas Tomboys. E que estar com sobrepeso me retira legitimidade e o direito de pertencer ao selecto grupo dos atrás citados, mas estar no mesmo circo desta fealdade toda, a ouvir a Kiss FM há três dias seguidos, não é uma lição de humildade. É um filme pornográfico... Dos maus.

Quem contratou a taróloga maluca?

Soube hoje que a taróloga egótica foi demitida. Mas o que me parece interessante é saber sobre quem contrata pessoas totalmente desiquilibradas, para aconselhar outras pessoas que, ao participarem em programas destes - expondo detalhes muito intímos e particulares das suas vidas -  também não estão muito bem.

É que, por certo, quem se deixou anestesiar pelas mãozinhas verborreicas da bimba taróloga de escada, não se aconselha com  bimbas tarólogas de escada.

Ou isto está tudo perdido e ninguém viu que a mulher era uma mitómana bimba taróloga de escada e nem fingir bem, fingia? . Eu, por ser uma Conaculta, sou bastante péssimista e acredito que todo este imbróglio tem cara de: Pra quem é "bacalhau basta" e bastou.

Até à senhora telefonar e nos livrar, a nós, daquele cócó afetado, sem se conseguir livrar a ela da sua vida horripilante e exposta em praça pública ao Jacaré Vaidoso que alguém não pensou duas vezes e contratou.

Nem um teste antes? Ou testes pra ver se tem "jeitinho" já não se usam quando é para dar palpites sobre a vida de pessoas tristes e sozinhas, porque as outras estão-se nas tintas para os programas da tarde e não precisam saber o que tarólogas do brinhol têm na cabeça e dizem a pessoas tristes e sozinhas?

No país das coisas justas talvez a pessoa que contratou a taróloga maluca devesse estar um bocadinho aflita em relação ao seu posto de trabalho. Mas isto digo eu que devo estar Conaraivosa: É que hoje entrevistaram-me uma hora e meia. Para fazer o quê? Talvez ser "caixa". Ou talvez porque eu só tenho "jeitinho" para conascultas e isso é o meu melhor.

 

 

O anagrama

Hoje, logo de manhã, um amigo meu postou no Insta um anagrama bestial. Como se todos os anagramas não fossem fantásticos este achei-o logo brilhantésimo. A fotografia era uma camisa de Portugal e em vez de Ronaldo, em cima do número sete, estava escrito orlando.

Agora são 19.47 e vou interromper a escrita para ver Portugal jogar e ganhar, no dia em que Ronaldo iguala as internacionalizações do Figo. Espero que o Ronaldo marque e que me faça chorar quando levantar a camisola e dedicar o golo às pessoas que morreram na discoteca, em Orlando. Tomara Ronaldo ter uma assessoria tão boa como a do Papa Francisco e passaria a ter uma estátua no Chiado, onde pessoas como eu, adoradoras do Vício Grego se passeiam felizes e impunes.

Agora são 22.01 e empatámos com a Islândia, a terra da maldita Bjork. O seleccionador Fernando Santos deveria ter começado o jogo com os jogadores dos últimos trinta minutos. Mas o treinador Fernando Santos tem cara de merceeiro, sendo que os merceeiros a sério são inteligentes, como as padarias modernas. Acho que o treinador é mole porque vive na Grécia e vai pouco a Mykonos e por isso acha que a equipa da Islândia é pragmática e que Portugal pode continuar a "receber" golos.

O que eu gostava era que o Ronaldo soubesse que o seu nome é um anagrama e nos podia ter feito feliz. O que eu gostava era de ter visto Portugal ganhar o jogo no meio das minhas amigas boiolas, que quando joga a selecção se transformam e emitem gritinhos altíssimos e muito histéricos e por isso se tornam muito mais bonitas e femininas que a barriga tanquinho-suspeita do Cristiano. Como em tudo o que se quer muito, temos que pedalar. Ou a nossa única esperança será passear no Chiado, esse grande parque temático à hora dos jogos da selecção nacional.

Champas

Ontem dois senhores de boné e de tshirt e pilota bolinha jogavam beach ball na praia. Na praia onde vou, na Costa da Caparica, há muitas pessoas que andam nuas, ou fazem nudismo, ou são naturistas, ou lá como se diz. Para mim são exibicionistas e são feios. Nunca vi uma mulher gira a fazer nudismo. Haverá quem lhe chame azar, eu acho que tem a ver com o facto de mulheres giras não serem, por norma, exibicionistas, senão não eram giras.

O meu pai trabalhou quase toda a vida no Banco Totta e Açores e tratava lá em casa, carinhosamente, o patrão dele, por Champas. Nessa altura eu era de esquerda: gostava de andar com as camisas de fora, fazia tudo para ser feia, ouvia muito o Sérgio Godinho e era amiga da filha do Secretário Geral do PCP que me metia inveja quando me contava sobre as férias na RDA e de como as crianças lá estavam sempre a ouvir música clássica. Portanto não nutria especial simpatia pelo Senhor Champalimaud.

Hoje pensei nestas duas coisas e se teriam alguma coisa a ver uma com a outra, enquanto caminhava ao fim do dia pelo Passeio Marítimo de Algés. Devo ser uma Conaculta.


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