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conaculta

"We must enter into that willing suspension of disbelief required in the reading of any poem"

O Hotel Marina quando acende

Quando me vires a pintar rosas num daqueles livros de arte-terapia, lembra-te da minha felicidade ao entrar numa banca de jornais do Leblon e cheirar as páginas recém impressas, da Playboy da Flávia Alessandra. E isso foi há tanto tempo que o actor Marcos Pauo, que morreu novo, ainda era vivo e os familiares não tinham brigado pela divisão dos seus bens. E depois lembra-te dos meus lábios bem desenhados naquela história do tarado do meu vizinho, judeu ortodoxo, lá na quadra da praia na Venâncio Flores. Porque fui eu quem atirou os ovos e sei que vais rir.

Smoke and Mirrors

Estúpidez continuar a insistir em encontrar o Caetano na biografia não autorizada dele. Como agulha no palheiro. Como sair para pescar num lago cheio de cascas de cebola, latas e papel. Melhor esperar a próxima super Lua para te contar segredos e inventar constelações e rirmos do medo de voltarmos a falhar. A vanguarda carioca continua na Lapa e de noite os indignados vão para a janela gritar enquanto dá o Jornal Nacional. Go easy on me. Prometo. Prometo googlar-te tanto.

Wikipédia

Como os flamingos cor de rosa na capa verde do vinil do Christopher Cross. Como comer pizza com Chardonnay, quando era casada. Podíamos, sim, ter ido passar um fim de semana a Picinguaba, não me desculpo ter zangado contigo e deixado cair um lugar tão lindo como Picinguaba. Minha princesa de livro muito lindo e bem escrito, minha Cecília Fluss, do João Tordo, minha ginjinha de Lisboa num dia de Sol, bem reflectido, no Rossio. Say you´ll be mine e tenho logo uma vontade e uma desculpa para ir gastar dinheiro naqueles vintage handmade soft shoes. Vamos. Vamos atravessar a fronteira do México com os Estados Unidos, ao contrário, para ir ver os cactos gigantes na zona de silêncio do Deserto de Sonora.

Mel

Mesmo sem saber gostar de ti com ritmo certo, legítimo e preciso, posso oferecer-te a Maria Bethânia toda em duplicado. Posso ir a São Paulo, essa cidade que de tão feia nos dá a volta à cabeça, como certas mulheres especialíssimas e tirar um curso que te certifique que sou uma Lego Serious Player. Posso tornar-me excessiva e dizer-te tudo o que queres ouvir, porque o teu e o meu ciúme é a nossa certeza de que todas as pessoas nos souberam cheirar, tocar, lamber e segredar o que precisamos e da maneira que gostamos. Mas amor meu, não te preocupes a conta da luz, da àgua e da electricidade já estão pagas. Hoje é Quinta-Feira, dia tal, faltam 19 dias e tu és sempre todo um mundo novo.

Flirtation

Se tivesses crescido ao meu lado e brincado comigo ao quarto escuro. Se tivesses bebido cálices de Cinzano Rosso, em Vila Viçosa. Se tivesses dançado mais slows comigo. Se não conseguisses mais esquecer-te de mim, da minha boca, do meu riso quando é contigo. Se continuasses a gostar de andar de moto comigo como quando andávamos e me apalpavas as maminhas. Se ainda estivesses a ouvir um jazz que te fizesse pensar mais em mim. Se me deixasses voltar a ver-te fazer um bolo de iogurte. Se ainda te deitares cheia de vontade de me amar. Se ainda continuares a ser a melhor do mundo quando usas o sarcasmo como uma arma de sedução e me matas com três tiros: a tua voz, os teus olhos e o teu pescoço e as tuas mãos. (não, não sei contar)

National Geographic

No quarto do ap, em Copacabana, há uma pintura de uma árvore por cima da cama onde durmo, que se ilumina de noite, és tu e o meu nome (agora) está gravado na porta da tua casa. Era bom que na próxima reencarnação nos encontrássemos mais cedo e que os electrões voltassem sempre muito direitinhos para a sua camada original de energia para libertarem o fotão de luz que vejo no escuro. Sim, imagino-te imenso deitada ao meu lado - a alegria do mundo. Sim, também já foste, de certeza, o piano do Tom Jobim, quando ele voltava da praia, em Ipanema; uma landscape do Turner; a coisa mais importante do meu mundo: O Amor. Feito por mim e sem resquício de savoir faire.


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