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conaculta

"We must enter into that willing suspension of disbelief required in the reading of any poem"

Pós-Guerra

Um dia foi o gato. E ao gato chamei Dexter, por causa da série de televisão. Durante uma semana, as pedrinhas e o corpo do gatinho todo escorregadio à minha volta. O gato não me fazia companhia nenhuma. Ou foi do cheiro das coisas do gato nas pedrinhas que tinham que ser mudadas, ou foi mesmo das unhas do gato nos cobertores e dos barulhos dele pela casa que me faziam ficar ansiosa, desci com ele no elevador e deitei-o fora. Atirei-o para umas moitas, ao lado de casa. Atirei-o e até imprimi alguma força no ato de me livrar daquele corpo maligno, felino e escorregadio, o gato parecia-me um de Lince da Malcata. Pus-me a pensar se todas essas pessoas sozinhas, todos esses adoradores de gatos já fizeram isto pelo menos uma vez na vida, continuo a precisar muito da aprovação dos outros. Devo dizer-te que não passo bem o dia, sem o cumprimento da puta da porteira, mal encarada, que ainda não percebeu nada sobre a minha vida.


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