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conaculta

"We must enter into that willing suspension of disbelief required in the reading of any poem"

Pure Linen

Eu vou lá. Vou lá ver se tens os olhos fechados e estás a dormir bem. Vou velar o teu sono e ver se viras os olhinhos, inspeccionar todos os teus REM. Sentir se estás a respirar como fazem as mães de primeira viagem. Conto-te histórias, prendo-te as mãos para não me poderes tocar enquanto olhas para mim e eu faço coisas, não essas, outras: como falar-te do cheiro da gasolina, ou olhar para ti com amor enquanto ouvimos a minha lista de música só francesa e pensamos nas cenas de amor do Blue is the Warmest Colour. Eu vou lá, onde estiveres e como uma criança hei-de dizer-te que nunca houve ninguém antes, nem mar, nem rios, nem outros lugares. Nem nunca me sentei horas a olhar para o eyes in the heat que o Pollock pintou na casa de Long Island e que os teus olhos nada mais são  do que os teus olhos à noite, no escuro e que a tua boca só é o que é, quando eu existo na tua cabeça. Está um gato preto em cima do telhado do meu vizinho, olhei agora. É muita sorte.


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