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conaculta

"We must enter into that willing suspension of disbelief required in the reading of any poem"

Código Civil (anotado)

Dos factos: Não me venhas tocar com as tuas listas de músicas do Spotify. Com aquela coisa da tua boca ser uma arquitectónica boca boa e um desenho a lápis. Eu gostava muito era de saber se consegues trabalhar com tintas e sabes inventar o amor como na música, enquanto eu ainda estiver desprevenida. Entretanto quero dinheiro para Nova Iorque no Outono e dois bichas convidaram-me para fazer coisas exóticas à minha frente na condição de que aquilo os pudesse excitar. Pedi-lhes mil euros por causa de ir ver contigo as árvores mudarem de cor Downtown. E porque tu não és nenhuma surrealista.

Stunde nul

Na medicina quântica, alinham os polos das pessoas, alinham o coração com os rins para que subir a Calçada de Carriche às dez da noite seja uma experiência mais bonita do que na verdade é - apesar de ser possível que o melhor restaurante que serve caça em Lisboa, ainda seja na Calçada de Carriche onde os autocarros passam sinais vermelhos e a vida parece ser sempre a subir para o lugar mais feio de Lisboa, e que obviamente não é em Lisboa. Os senhores da  Standard and Poor´s, quando chegam, ficam ali perto da Calçada e não querem saber de medicina quântica e de beber um litro e meio de Água de Monchique por dia, por causa do seu PH único. Devem curtir gins tónicos e serem potênciais psicóticos, ser amigos da Mariana Mortágua e fazerem reuniões secretas em salas onde ainda há posters em memória de Catarina Eufémia.

Dá pra foder, ou vais continuar com isso? Tiras-me a tesão. 

Harvest Moon

Someone gave me this Harvest Moon. Desde essa hora, esse minuto, esse segundo, só consigo falar inglês para ser mais fácil se os ET´s nos encontrarem. 

Music is a safe kind of hight. Temos várias músicas para o dia de hoje. Temos hugs, temos amizade, muita, muita vontade de ser felizes. Vizinhos malucos, nas duas casas onde moramos, que têm a certeza de que são o Sakamoto. Há doze caixas de escitalopram tomadas, há árvores a voarem em cima de nós.

Ás vezes parecemos um filme do Tim Burton, outras vezes somos a Mulher que viveu duas vezes. O Vertigo. Mas até na escuridão, in the darkness dos nossos filmes, foste capaz de me encontrar. Isso é coisa de história de amor. E o nosso amor a gente inventa e o Cazuza é nosso santo protector.

Hoje, quando voltares a querer olhar para mim, yes i´m all yours, please be mine too, falas-me em Italiano?

It´s me your favorite chick

Há aqueles poetas que juram que os olhos das pessoas mudam de cor, há médicos em hospitais americanos, como o John Hopkins, que afirmam ter visto numa noite de chuva o coração de uma senhora muito velha, mas ainda muito rica interiormente, parar, por causa de um desgosto de amor: Um homem que a teria amado muito, mas da maneira errada. Ou porque tinha tido uma infância infeliz, ou feliz demais nunca ninguém chegou à conclusão porque não havia psiquiatras de plantão.

Eu de ti gosto como gosto do cheiro da gasolina. Eu de ti gosto de tudo o que para mim é estranho. Gosto que interrompas todas as ligações químicas que me curto circuitam desde aqueles dias de colégio em que comecei a ser má de propósito e que voltes a religar tudo, com a paciencia de quem quer abraçar uma pessoa que não cheire a queimado.

errata

Hoje fui acordada com perguntas sobre o amor. O Amor, querida? Como é para mim o amor? Assim tão cedo, a esta hora da manhã e depois de ontem estar duas horas a levar com doses cavalares de neutrões de serotonina, devo dizer-te que prático ele não é. Apesar de comigo eu o levar sempre para todo o lado. às vezes esconde-se aparece-me num apalpão a meio da Rua da Rosa e de noite, sim num apalpão desejoso ao teu rabo. Outras vezes vem quando me enterneço com as tuas maminhas a olhar para cima e sim, aí também está o meu amor, maluquinho mas cheio de olhar fotográfico. O meu amor também é de manhã quando acordas com as calcinhas um bocado para baixo e pareces a mal enjorcada da miúda da sundown. O meu amor está na minha falta de paciencia nos grãozinhos de comida dados à boca da Fred e está em frente à tua televisão quando andas horas sem saber como vais sair de casa. O meu amor está sempre irritado quando discutimos, quando tenho ciúmes, quando sinto que não me queres tanto nessa hora. O meu amor está no chão, sentado, zangado comigo mas ao meu lado, quando nos vais buscar porque os dois fizemos merda. O meu amor está no Spotify que te tiro para nunca mais ouvires as nossas músicas, muito menos enquanto comes sem mim. O meu amor está na primeira frase que alguma vez ouvi de ti e relembro sempre que te faço mal, porque comi tomates Cherry  e o amor fica a saber a, blah tomatinho cherry, que é azedo como tudo, e em casos mais graves dá umas pontadas de ciúme febril e depois temos que nos pôr sentadinhas a ver se nos acalmamos com qualquer coisa mais irracional que nós e então falamos das histórias do amor entre a Simone de Beavouir e o Jean Paul Sartre. E tu dizes que eu sou ele, e eu te digo que ela és tu.

O meu amor por ti está nessa tua bondade de um dia teres tirado o dia para fazeres alguma coisa que te desse prazer e me dizeres que isso tinha sido uma coisa que tinha tido a ver comigo. Pode ser isto o amor?

 

Errata: A míuda mal enjorcada não é  da Sundown, é a da Coppertone.

Espelho de Água

Eu já sabia que eras o meu coração de salvamento. Não tenho a certeza se sou o teu, se tu precisas de um coração de salvamento, porque és em tudo tão perfeito, desde sempre, aos meus olhos. Acho que nunca precisaste de nenhum coração de salvamento, porque o tinhas sempre escondido dentro das meias das tua botas lindas, as dos tempos em que os teus pais moraram em Paris e agora também andas com ele nestas, que nunca vejo. Devias pedir para não te cortarem sempre os pés nas fotos.

Gostava de te encontrar numa estrada daquelas onde se despenham os carros das pricesas e que não estivesses ali parado para mais, a não ser para não me deixares fazer a mesma curva a correr para nada e olhares para mim, meu coração de salvamento, com tudo o que tens quando estás feliz e ficas tão loiro.

Achas que seria como nos filmes e começava uma música do Cole Porter, quando o carro parasse para entrares ao meu lado e comigo e com o vento e a luz  perfeita até ao lugar lindo onde irias fazer o almoço simples para comermos devagar a olhar um para o outro, umas vezes a rir muito, outras em silencio.  Ás vezes em pé, outras sentados na tua cozinha onde não iria aparecer ninguém,  porque estavam felizes em  férias em outro lugar com buganvilias e sessões continuas dos putos maravilhosos do Stranger Things.

E tinhas figos em cima da mesa de madeira que só poderia ser a tua mesa de madeira e tinhas as tuas mãos, as tuas facas e copos muito bonitos. Tinhas figos que nos lembraram aos dois com os mesmos olhos em fuga, que o sexo existe mas please,  coração de salvamento, só ali no  breve acto das tuas mãos a abrirem-no e tu a despachá-lo boca abaixo.

Hoje deviam ter-me tirado o meu coração - enquanto almoçavamos no lugar muito branco e onde só estavas por gostares de mim e pelos guardanapos impecáveis -, se os métodos não fossem, em relação às operaçoes de coração aberto tão cheios de esquisitices.

Estarias agora aqui calmo, a aproveitar a noite linda, deitado no chão da sala a ouvir Coldplay. Gostas de Coldplay, meu coração de salvamento?

 

 


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